sexta-feira, setembro 09, 2011

Procura-se um amigo, Vinicius de Moraes 






Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

A importância da amizade 

 

Quantas amizades surgiram a partir de uma brincadeira de boneca? Parcerias que muitas vezes seguem pela vida afora. Amigos podem ser considerados a família que escolhemos ter. Por isso, uma amizade verdadeira é tão especial.

Segundo a psicóloga Graziela Cunha, a eleição de pessoas começa logo na infância. “Os grupinhos se fecham primeiro em meninos e meninas”, explica a especialista. Mas, com o passar do tempo, os clubinhos vão se mesclando e novas pessoas vão entrando em nossas vidas. “Isso não quer dizer que haja uma substituição dos antigos pelos novos amigos, mas sim uma “peneirada” nas relações, separando o joio do trigo”, compara Graziela. E, é claro, só permanecem os amigos verdadeiros.
Situações inusitadas também podem formar elos e garantir amizade para a vida inteira. Foi o que aconteceu com a publicitária Carla Moreira e a engenheira Bianca Souza. Carla, ainda adolescente, pegava todos os dias o mesmo ônibus para ir colégio. Bianca também. Um dia resolveram engrenar um papo e descobriram que estudavam no mesmo lugar. As conversas ficaram mais frequentes: passaram do ônibus para a escola, da escola para a casa das meninas, da casa para o shopping e pronto! Elas levaram a sério a música que diz que “amigo é coisa pra se guardar…”. Estava formada uma amizade que dura até hoje. E lá se vão mais de 30 anos. “Somos comadres e não há um dia sequer que não nos falemos”, conta Carla. E Bianca completa: “Jamais vamos nos separar. Somos como irmãs e uma sabe tudo sobre a vida da outra. Não dividimos a infância, mas temos toda a vida para aproveitarmos juntas”, diz.
Feliz de quem tem um amigo de fé, irmão, camarada! Estar junto de pessoas que te fazem bem e são capazes de dividir momentos bons e ruins é especial. E a fórmula adotada por Carla e Bianca é a que mais dá certo. Uma amizade verdadeira não se forma de uma hora para outra: tem que deixar nascer, alimentar a cumplicidade, fazer crescer a confiança. Depois de sólida, nada abala.
O amigo real pode estar distante fisicamente, mas mora no coração e está junto com você, o tempo inteirinho. É especial, é ímpar. “É aquele que percebe em seus olhos seus desejos, suas alegrias e medos. É alguém por quem a gente vibra, torce e sabe que a recíproca é verdadeira”, observa Graziela Cunha. Amigos estão juntos nos bons e nos maus momentos. Eles dão asas aos nossos sonhos e puxam a gente para o chão quando estamos sem rumo.
Amigo é aquele que toca na sua ferida porque sabe que vai ser importante, mesmo que te faça sofrer. “Não tentamos florear situações e nem dar razão à outra todo o tempo. Se não concordamos, se achamos que algo não é legal, falamos abertamente. Amigo é aquele que quer o bem. Então, se estou vendo que ela está indo por um caminho errado, faço questão de opinar e deixar muito claro o meu ponto de vista. Às vezes precisamos de uma sacudida”, explica Bianca, que, mais jovem, já resgatou a amiga de algumas roubadas e emprestou-lhe o ombro por horas a fio. Coisas de meninas…

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quarta-feira, setembro 07, 2011


 
 
Um cão velho e com olhar cansado estava andando pela rua e entrou em meu jardim. Eu pude ver, pela coleira e seu pêlo brilhante, que ele era bem alimentado e bem cuidado.
Ele andou calmamente até mim e eu o agradei. Então ele me seguiu e entrou em minha casa. Passou pela sala, entrou no corredor, deitou-se em um cantinho e dormiu.
Uma hora depois ele foi para a porta e eu o deixei sair.
No dia seguinte ele voltou, fez "festinha" para mim no jardim, entrou em minha casa e novamente dormiu por uma hora no cantinho do corredor. Isso se repetiu por várias semanas.
Curioso, coloquei um bilhete em sua coleira: "Gostaria de saber quem é o dono deste lindo e amável cachorro, e perguntar se você sabe que ele vem até a minha casa todas as tardes para tirar uma soneca."
No dia seguinte ele chegou para sua habitual soneca, com um outro bilhete na coleira: "Ele mora em uma casa com 6 crianças, 2 das quais têm menos de 3 anos - provavelmente ele está tentando descansar um pouco. Posso ir com ele amanhã???"
Lição de vida
 
 
 
Se você colocar um falcão em um cercado com um metro quadrado e inteiramente aberto por cima, o pássaro, apesar de sua habilidade para o vôo, será um prisioneiro. A razão é que um falcão sempre começa seu vôo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá um prisioneiro pelo resto da vida nessa pequena cadeia sem teto. O morcego, criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado; se for colocado em um piso completamente plano, tudo que ele conseguirá fazer é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar. Um zangão, se cair em um pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto; por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente, de tanto atirar-se contra o fundo do vidro.
Há pessoas como o falcão, o morcego e o zangão: atiram-se obstinadamente contra os obstáculos, sem perceber que a saída está logo acima.
Autor Anônimo


Eu sei que a gente se acostuma... mas não devia
 
 
 
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, o ar, e esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A comer sanduíche porque não dá tempo para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite. A deitar cedo e dormir sem ter vivido a vida.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos. E, aceitando os números, não acredita nas negociações de paz.
E, não acreditando as negociações de paz, aceita ter, todo dia, o dia-a-dia da guerra, dos números de longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e o de que se necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com o que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição. À sala fechada de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às baterias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios.
A gente se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo na madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor daqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo, conformado. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no final de semana. E, se no fim da semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e fica satisfeito, porque, afinal, está sempre com o sono atrasado.
A gente se acostuma a não ter que se ralar na aspereza, para preservar a pele. A gente se acostuma a evitar feridas, sangramentos, para se esquivar da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, se perde em si mesma!!!!